HOJE eu quero falar sobre o que vivemos e como vivemos a ano de 2020!

"Em época de cancelamento nas redes sociais, fiquei me perguntando nesse final de ano se deveria simplesmente apagar (cancelar) o ano de 2020. Será que é possível passar por algo e fingir que nada aconteceu?"

Paula Martins Hoje
Por Paula Martins

Sempre busquei o autoconhecimento e a tomada de consciência como propósito de vida. A gente cresce (pelo menos eu cresci) achando que as coisas ruins não devem ser cultivadas e só as coisas boas devem ter lugar de destaque no nosso dia-a-dia. Esse é um bom pensamento, o politicamente correto como dizem, aquilo que nos move ir adiante, mas com a maturidade também descobri que tudo precisa ser trabalhado na nossa mente, não tem como fingir que não aconteceu e partir para a próxima etapa sem reflexão.

Dito isso, decidi pensar sobre esse ano que passou de forma consciente com o lado bom e o lado ruim, sem fantasias de que foi melhor porque aprendemos algo e nem que foi um horror porque perdemos tudo. Hoje vamos tentar o caminho do meio? Esse é um exercício que venho fazendo e tem me colocado de forma real perante essa situação tão absurda e cheia de desafios para todos nós. Confesso que durante esses últimos dez meses eu oscilei muito entre o amor e ódio nessa situação.

Aprendi a viver mais o dia presente, aprendi que não adianta tentar controlar tudo, aprendi também que o quoeficiente relacional (capacidade que você tem de se relacionar bem com as pessoas) foi a grande virada de jogo, pelo menos para mim, durante essa pandemia. O que contou mesmo foi a minha família e amigos queridos para dividir todas as incertezas, inseguranças e momentos de desânimo em relação a nossa saúde física, saúde financeira, saúde emocional, um quebra cabeça tenso de ser montado em 2020.

O que esperar de 2021? Para ser bem sincera, nada de muito diferente. Afinal de contas a gente acorda todo dia e tem que seguir em frente com a situação que estiver no nosso caminho. Pretendo, nesse novo ano, seguir com disciplina para as coisas que me fazem bem. Ter saúde, atividade física, boa nutrição, bons amigos, possibilidade de trabalho, prosperar na mediada do possível, me divertir, ajudar sem fazer alarde, enfim viver sempre tentando buscar a minha melhor versão! 

HOJE eu quero falar sobre o dia que eu fiz as pazes comigo mesma na quarentena.

"Você já parou para pensar que o exercício de se perdoar é algo que faz parte do nosso cotidiano e que pode nos ajudar a perdoar o outro? Aliás, nesse momento louco que estamos vivendo com uma culpa coletiva, você já se perdoou?"

Paula Martins Hoje
Por Paula Martins

Sempre ouvi muito a palavra empatia durante esses meus 48 anos vividos com experiências pessoais, profissionais e coletivas. Na verdade, ela tem feito parte do meu vocabulário, mas foi só nesse ano de 2020 que consegui entender o seu maior significado. E não pense que entendi porque me considero uma pessoa “mais evoluída” ou melhor que as outras, mas sim pela necessidade de crescimento interno, de sobrevivência, enfim, de perdão pessoal.

Quando tudo começou e eu como a maioria das pessoas que olhou para dentro de si (já que tudo ao meu redor havia mudado) o que enxerguei foi uma falta de perdão, uma culpa por muitas vezes estar em uma situação privilegiada, culpa por me sentir incapaz de fazer algo maior, culpa pelas minhas vontades pessoais, meus desejos supérfluos, sentimentos confusos de gratidão e responsabilidade por uma dor coletiva.

Foi nesse momento que entendi que me perdoar e ter empatia pelo outro poderia me fazer crescer e tomar consciência de que ninguém sai disso impune, imune ou numa boa, é preciso trabalho interior, autocuidado, ajudar o outro, entender que o mundo não é apenas a sua célula, o seu umbigo e que na verdade esse momento de pandemia espelha todos os outros momentos da minha vida em que tive que crescer.

HOJE me perdoei. Acordei tendo certeza das minhas limitações e que posso trabalhar para melhorá-las. Limitações muitas vezes como mãe, como mulher, como profissional, como amiga, como cidadã, e entendi também que se não fizer isso, não consigo ter empatia pelo outro, me colocar no lugar dele e entender que vivemos vidas diferentes, com valores diferentes e por isso somos únicos, fazendo com que a jornada seja solitária. Se perdoe, pode te fazer bem!