Por incrível que pareça, a maternidade nunca foi um sonho ou até mesmo um projeto de vida, mas se tornou um aprendizado sem fim desde o primeiro momento que meu filho Guilherme (21) nasceu. Me tornei mãe naquele dia sem nenhuma expectativa. Achava que não iria conseguir amamentar (na minha cabeça não tinha nascido para isso), que teria dificuldade dos cuidados com ele no dia- a -dia e que talvez eu tivesse no lugar errado, na hora errada. Por incrível que pareça, isso me ajudou muito. As coisas foram se encaixando e eu me encontrei totalmente inserida naquela situação, achando que era possível eu cumprir esse papel, continuando sem muitos planos certos e definidos.
Quando a Eduarda nasceu continuei sem ter certeza de que estaria preparada, e de fato não estava, foi totalmente diferente já que por uma sorte infinita minha eles foram, são e serão indivíduos totalmente diferentes um do outro e de mim também. E é aí que começa, para mim, toda a mágica e a beleza desse processo de tentar conviver, respeitar, admirar as diferenças e ainda assim sermos uma família na maneira menos tradicional da palavra. Processo fácil? Claro que não. Eu não tinha nenhum modelo ou regra para seguir, mas sabia que coisas como amor, empatia, acolhimento eram inegociáveis e necessários nesse nosso relacionamento.

Com eles, sem dúvida nenhuma, sou uma pessoa melhor. Mais tolerante, mais amiga, mais carinhosa, mais consciente e acima de tudo percebendo que o mundo não gira em volta do meu próprio umbigo, que existe vida além da Paula, o que é muito libertador. Brinco que quando eu era mais jovem, para poder me inspirar tanto no meu trabalho com o na minha vida pessoal, eu tinha que rodar o mundo, conhecer gente, conhecer lugares. Agora, só preciso estar em casa com eles que geralmente tenho uma lição sobre o mundo que não iria encontrar em lugar nenhum.
A Paula de hoje não é definida só pela maternidade. Existem outros papéis que faço questão de performar, mesmo porque ter uma vida independente de ser mãe, a meu ver, me torna uma mãe melhor. Irônico né? Veja bem, ainda estou no processo, essa é uma caminhada de todo dia e o aprendizado é constante, sempre sem muita expectativa. Tenho gratidão por ter tido coragem de ter meus filhos e acredito que essa é uma história pessoal, onde “eu” encontrei propósito, mas não precisa ser assim para todos né?