HOJE eu quero falar sobre o que significou para mim me tornar mãe e como esse processo foi transformador e me tornou uma outra pessoa.

"O fato de algum dia você sonhar em ser mãe automaticamente te credencia para esse papel? Como podemos identificar a diferença entre um desejo e uma real vocação?"

Paula Martins Hoje
Por Paula Martins

Por incrível que pareça, a maternidade nunca foi um sonho ou até mesmo um projeto de vida, mas se tornou um aprendizado sem fim desde o primeiro momento que meu filho Guilherme (21) nasceu. Me tornei mãe naquele dia sem nenhuma expectativa. Achava que não iria conseguir amamentar (na minha cabeça não tinha nascido para isso), que teria dificuldade dos cuidados com ele no dia- a -dia e que talvez eu tivesse no lugar errado, na hora errada. Por incrível que pareça, isso me ajudou muito. As coisas foram se encaixando e eu me encontrei totalmente inserida naquela situação, achando que era possível eu cumprir esse papel, continuando sem muitos planos certos e definidos. 

Quando a Eduarda nasceu continuei sem ter certeza de que estaria preparada, e de fato não estava, foi totalmente diferente já que por uma sorte infinita minha eles foram, são e serão indivíduos totalmente diferentes um do outro e de mim também. E é aí que começa, para mim, toda a mágica e a beleza desse processo de tentar conviver, respeitar, admirar as diferenças e ainda assim sermos uma família na maneira menos tradicional da palavra. Processo fácil? Claro que não. Eu não tinha nenhum modelo ou regra para seguir, mas sabia que coisas como amor, empatia, acolhimento eram inegociáveis e necessários nesse nosso relacionamento.

Com eles, sem dúvida nenhuma, sou uma pessoa melhor. Mais tolerante, mais amiga, mais carinhosa, mais consciente e acima de tudo percebendo que o mundo não gira em volta do meu próprio umbigo, que existe vida além da Paula, o que é muito libertador. Brinco que quando eu era mais jovem, para poder me inspirar tanto no meu trabalho com o na minha vida pessoal, eu tinha que rodar o mundo, conhecer gente, conhecer lugares. Agora, só preciso estar em casa com eles que geralmente tenho uma lição sobre o mundo que não iria encontrar em lugar nenhum.

A Paula de hoje não é definida só pela maternidade. Existem outros papéis que faço questão de performar, mesmo porque ter uma vida independente de ser mãe, a meu ver, me torna uma mãe melhor. Irônico né? Veja bem, ainda estou no processo, essa é uma caminhada de todo dia e o aprendizado é constante, sempre sem muita expectativa. Tenho gratidão por ter tido coragem de ter meus filhos e acredito que essa é uma história pessoal, onde “eu” encontrei propósito, mas não precisa ser assim para todos né?

HOJE eu quero falar sobre a importância de você criar situações na sua vida que te inspirem.

"As obrigações e metas que colocamos no nosso dia a dia muitas vezes são feitas de forma mecânica e oprimem nossos verdadeiros desejos. Será que é possível fazer algo e alcançar um objetivo se você não está inspirado/a?"

Paula Martins Hoje
Por Paula Martins

O tema de hoje foi escolhido por mim justamente porque não estava inspirada a escrever nada. Acho até que tem um pouco a ver com começo de ano, férias, desligamento de redes sociais e desaceleração, mas percebi que tudo isso deveria ter funcionado de maneira oposta para mim já que é no descanso que conseguimos ter inspiração. Ou Não? Será que estou me prendendo a resoluções externas da sociedade e não ouvindo o meu interno?

Acredito que sim. Primeiro percebi que o que para mim funcionava como estímulo, hoje em dia, não funciona mais. A minha vida desde sempre era pautada por uma energia louca, um poder de fazer acontecer que deixava os outros a minha volta cansados de tantas frentes que eu sempre me coloquei e me propus a desenvolver. Eu tinha um lema: trabalho dado é trabalho feito, sem medir nenhum custo para mim mesma.

A vida acontecia quase que perfeitamente, e foi aí, que eu comecei a pensar que talvez o custo de estar sempre inspirada o tempo todo era muito alto, não tinha espaço para o nada, para o descanso, para o imperfeito, para a pausa, para mim. E a partir do momento que tomei consciência disso, tudo mudou. O que eu sentia mudou, o que eu queria mudou, as minhas metas mudaram, tive que me desconstruir principalmente na minha profissão.

Foi aí também que entendi que a minha inspiração pode vir com o processo e não com o resultado. Pode vir com o viver mais calma, mais pausada, mais tranquila, menos ansiosa, mais focada em uma coisa só. Nesse momento escrevo a newsletter de hoje inspirada com cada palavra escrita, no meu ateliê, tomando água, simples assim. Percebi também que HOJE o que mais me deixa empolgada é saber que estou desenvolvendo o meu quociente relacional – a minha capacidade de me relacionar bem com as pessoas. E você, o que te faz bem?