HOJE eu quero falar como caminhos radicais e inflexíveis me fizeram regredir ao invés de progredir na minha vida como um todo.

"O fato de você procurar relações e movimentos mais ponderados afeta de que maneira a sua vida? Será que precisamos viver polarizados para termos força?"

Paula Martins Hoje
Por Paula Martins

Sempre me considerei uma pessoa de personalidade forte, com opiniões muito precisas e certezas inquestionáveis e foi dessa maneira que vivi minha vida pessoal e profissional até os meus 40 anos. Comecei muito cedo o exercício de desenvolver as minhas próprias ferramentas de sobrevivência e com isso minhas considerações absolutas sobre tudo e sobre todos. Isso me fez crescer com força e determinação como se fosse um escudo de proteção quase impenetrável e me levou até onde eu queria e onde eu sempre sonhei.

No momento em que me senti no topo, com vigor físico e emocional, quase que imediatamente senti a necessidade de dar passos para trás com o objetivo de andar para frente novamente e foi aí que comecei a aperceber que o caminho certo, na minha opinião, deve ser seguido, mas com um olhar flexível e leve que só a maturidade pode trazer. Num primeiro momento me senti fraca. Sem energia. Como escolher o caminho do meio e não ser tão radical? Como conseguir fazer tudo o que eu preciso sem minhas verdades absolutas?

Pois é, tarefa nada fácil. Quebrar essas barreiras emocionais, questionar suas crenças limitantes e ainda assim permanecer no jogo da vida é bem trabalhoso, mas nunca ninguém prometeu que seria simples, né? HOJE aos 48 anos ainda não atingi o meu objetivo de sempre que possível seguir o caminho do meio. Me sinto vulnerável e fragilizada, mas também não consigo mais usar o radicalismo para resolver meus problemas. A vida é sempre uma grande ironia, o que te alimenta pode até te matar.

Me sinto um caso em andamento, sem polarização, sem exclusão, mas sim com coexistência. Não é isso OU aquilo, e sim, isso E aquilo, parece simples, mas requer tolerância, autoconhecimento, enfim, alguma ressignificação, ainda mais para alguém com a minha personalidade. Aqui fica essa reflexão. Será que o fato de você ter um comportamento radical pode estar te levando para um lugar de inércia e sem aprendizado?

HOJE eu quero falar sobre a necessidade de acreditarmos na vida, nas pessoas, nos propósitos e em como isso tem mudado o meu comportamento.

"O fato de não ter uma crença religiosa faz com que você não possa acreditar em mais nada? É possível simplesmente ter fé na vida?"

Paula Martins Hoje
Por Paula Martins

Durante muito tempo na minha jornada como ser humano acreditei que a fé era algo simplesmente religioso e eu precisava me associar a algum desses movimentos para poder exercer o acreditar. Com o amadurecimento, afinal já estou com 48 anos, comecei a perceber que esse processo tinha muito mais a ver com algo dentro de mim do que em alguma coisa que estava fora do meu controle. Isso não tem a ver com autoestima, mas com a capacidade de poder me conectar com o não é palpável exercendo o meu autoconhecimento.

Intuição sempre foi o meu canal direto com o universo, com Deus, com meu anjo da guarda, enfim, com algo que simplesmente aparecia na minha mente e que eu seguia porque no fundo sentia que era o caminho adequado para mim. HOJE sei que não faço quase nada sem me conectar com esse EU indefinido, não racional, que é o processo intuitivo. Isso não quer dizer que eu não raciocine sobre os meus comportamentos e corra atrás de me conhecer melhor. O processo criativo, que exercito também, me ajuda a conectar os dois lados da moeda.

É claro que eu exercitei e desenvolvi minha intuição durante todos esses anos. Tenho trabalhado para ela me ajudar cada vez mais e estar presente em quase todas as áreas da minha vida. Fico confusa? Muitas vezes angustiada? Claro que sim, sou um ser humano em andamento, mas sei que a fé que eu deposito nessa minha conexão com o um universo me credencia a ser uma pessoa que tem fé em mim e na minha capacidade de resolução de dores e problemas. Preciso ter uma religião que paute os meus caminhos? Não necessariamente. E você, já pensou como é o seu processo de acreditar?