Sinto que essa escolha de ser ou não ser tem muito a ver com as nossas crenças limitantes. Olhando a minha história, penso que acreditei que certas coisas estavam certas ou erradas e que eu tinha que viver em função de algo que na maioria das vezes não tinha nada a ver comigo ou com a minha personalidade. Quando comecei a trabalhar, você tinha que ter uma função específica e desenvolvê-la sem pensar muito em qualquer mudança. Dentro de mim isso não fazia muito sentido, queria navegar em outros mares, entender outras maneiras de fazer o que eu fazia sem me sentir restrita ou sem motivação.
Foi aí que optei em ser plural, e exercer várias funções dentro do assunto que eu gostava e que conseguia trabalhar – no caso moda e todo o seu entorno. Me tornei a famosa multifunções e comecei a desenvolver toda uma trajetória seguindo essa premissa. Corri o Brasil e o mundo trabalhando loucamente e exercendo minhas habilidades com a certeza de que esse era o caminho a ser seguido (como se existisse o certo e o errado na vida das pessoas), pura ilusão de que não iria mais contestar nada, afinal de contas, reavaliar a vida faz parte da minha personalidade. O clique inicial foi quando uma pessoa (que não tinha muita convivência comigo) me perguntou – o que você faz na moda? Naquele momento entendi que não fazia ideia como responder.
Se falasse em todas as áreas que eu atuava, com certeza, ela não iria entender, se falasse de uma coisa só, tudo parecia sem sentido e mentiroso já que a realidade era outra. E foi aí que percebi que não tinha nada relacionado a moda que eu fosse especialista, tudo era um conjunto de coisas, mas nada específico, e meu deu um pânico. Como daqui para frente alguém vai me contratar se não sabe exatamente o que eu faço? Será que eu tenho que mudar a maneira como exerço o meu trabalho?
Enfim….alguns anos se passaram e eu ainda tentando entender tudo isso.Agora sei que sou uma pessoa plural. Não consigo estar num só lugar, preciso viver em vários cenários para entender quem eu sou e do que sou capaz. Isso faz o meu mundo girar, eu me reciclo, aprendo, vibro de outra maneira, certo ou errado? Não sei, mas essa sou eu, e talvez o meu propósito de vida seja esse. Se alguém me pergunta o que eu faço, hoje respondo: Tá com tempo? E assim sigo apreendendo….