HOJE eu quero falar sobre a diferença entre ser ansioso e ser proativo principalmente em tempos de cobrança de reações rápidas e imediatas em todos os setores da vida.

"Dito isso, pergunto: Será que não estamos confundindo competência e excelência com ansiedade ao invés de proatividade? Ser produtiva ou ser ocupada? O que o mundo tem esperado das pessoas?"

Paula Martins Hoje
Por Paula Martins

Passei a minha vida toda ouvindo que eu era, e sou, uma pessoa de ação. Eu mesma sempre me senti quase uma supermulher, já que nada acontecia comigo, eu sempre acontecia antes, do meu jeito e da minha maneira. Praticamente eu sempre controlei todas as minhas narrativas e nunca deixei que a vida acontecesse, muitas vezes, em seu tempo e sua medida. Existia sempre uma urgência sem limites em tudo o que eu fazia, uma necessidade de não deixar nada acontecer de modo natural, com isso a energia gasta sempre foi enorme e consequentemente uma ansiedade que não sabia de onde vinha.

É claro que a vida aconteceu com sucesso, e hoje tenho orgulho das minhas conquistas, mas o preço do meu desgaste mental também foi alto, um processo demorado até eu me questionar sobre quais eram as minhas vontades, meus valores, minhas batalhas e aonde eu queria chegar e como queria estar no final de cada dia. Foi aí (depois de muita terapia) que comecei a entender que o meu gasto de energia com determinadas situações estava diretamente proporcional ao meu bem estar, e que só eu era capaz de fazer essa conta, achar esses equilíbrios e começar a trabalhar não com ansiedade, mas sim com proatividade direcionada.

Estar produtiva e não somente ocupada começou a fazer muito mais sentido, tarefa fácil? Lógico que não, mas um começo de consciência e autoconhecimento têm me ajudado muito. Sair da minha bolha e conhecer pessoas que encaram a vida de maneira diferente também foi maravilhoso e entender que a energia que possuímos é uma grande aliada e tem que ser cuidada como a nossa saúde física, emocional e espiritual. Confesso que tenho estado muito mais desocupada, e tudo bem, sigo procurando esse equilíbrio e trabalhando a ansiedade já em outro patamar. E você, já prestou atenção nisso?