Hoje eu quero falar como as relações familiares podem, ou não, ser positivas ou tóxicas se você não exercita seu poder crítico para avaliá-las.

"Já passou pela sua cabeça que crescemos em um ambiente familiar e aprendemos a sobreviver nele desde crianças, sem questionar. Será que é possível transformar o “modus operandi” de uma família que foi construída com crenças limitantes específicas?"

Paula Martins Hoje
Por Paula Martins

Como sempre aqui nesse espaço, falo sobre minhas experiências pessoais e observações que faço no meu dia a dia. Me interesso muito pelas relações humanas, e tenho uma escuta eficaz para ouvir pessoas, mesmo porque sou curiosa e aprendo todas os dias sobre como as dinâmicas funcionam. Já adianto que as quebras de paradigmas são dolorosas e pedem embates e conflitos que na maioria das vezes a família não está preparada para encarar. 

Eu sempre me senti muito diferente no ambiente familiar que fazia parte. No meu caso, pai, mãe e duas irmãs mais velhas, sou a caçula do rebanho. Os valores, as verdades e as crenças funcionavam de um jeito diferente para mim e lembro de sentir muita angústia até o momento que entendi que não estava errada, mas simplesmente procurando os meus próprios propósitos para encarar os meus desafios. Existe um exemplo, na psiquiatria,  que fala que se você não está dentro do “pneu familiar”, está sempre sendo jogada para fora, e isso é algo que com o tempo consegui administrar. 

A vantagem de estar fora do contexto, é olhar as dinâmicas com certa distância e alertar quando é tóxico ou não. Dentro da minha família base(mesmo porque agora criei uma nova família) esse foi sempre o meu papel, identificar e tentar conversar para termos uma mudança. Nada fácil e nem confortável, muitas vezes uma grande solidão, mas por escolha própria sempre fui esse vetor questionador, e não me arrependo. Muitos erros e acertos, mas a certeza de ter o propósito de encarar conversas diretas e não somente conversas controladas, que a meu ver, são uma grande perda de tempo.