Adentrando no Ano 3 da pandemia, e eu pessoalmente saindo do meu isolamento (peguei Covid) no Ano Novo, entendo que posso falar agora sobre essa experiência que até então era algo distante e que eu via nos noticiários, mas ainda não tinha sentido na pele. Descobri que além da doença em si (tive uma gripe bem forte) esse vírus traz também uma doença emocional carregada de pré-conceitos, olhares julgadores, sentimento de solidão e o que é pior: o isolamento chancelado, justificado e obrigatório, fazendo com que os sintomas físicos se potencializem justamente por essa segregação.
Se antes eu tinha uma narrativa toda politicamente correta em torno da doença, hoje, me sinto livre para analisar outras questões e começo a perceber como uma possível histeria coletiva me influenciou (de uma maneira negativa) na minha recuperação, a pergunta que fica é : será que é possível se manter racional durante um momento de crise e não se deixar levar pelo entorno? Teremos que desenvolver uma ferramenta emocional pessoal e intrasferível para lidar com essa loucura pandêmica?
Não sei a resposta. Aliás temos vivido um mundo sem respostas e só consigo imaginar que elas devem de alguma maneira estar dentro de mim, mas a dificuldade de acessá-las requer um autoconhecimento diferente que eu até então não tinha experienciado. Sinceramente acho que estamos vivendo excessos de pânico generalizado, mas também não sei se isso é necessário ou não, vivemos uma corrida maluca atrás de vacinas, mas também não sei até onde isso tem ajudado ou não, polêmico né? Ficamos em isolamento tentando entender se isso é realmente eficaz e não encontramos respostas. Mas a meu ver questionamentos necessários já que não sinto que estamos perto do fim dessa loucura toda.
Sigo no final da minha quarentena, me sentindo melhor, mas ainda com medo do que esta por vir!