Sempre ouvi muito a palavra empatia durante esses meus 48 anos vividos com experiências pessoais, profissionais e coletivas. Na verdade, ela tem feito parte do meu vocabulário, mas foi só nesse ano de 2020 que consegui entender o seu maior significado. E não pense que entendi porque me considero uma pessoa “mais evoluída” ou melhor que as outras, mas sim pela necessidade de crescimento interno, de sobrevivência, enfim, de perdão pessoal.
Quando tudo começou e eu como a maioria das pessoas que olhou para dentro de si (já que tudo ao meu redor havia mudado) o que enxerguei foi uma falta de perdão, uma culpa por muitas vezes estar em uma situação privilegiada, culpa por me sentir incapaz de fazer algo maior, culpa pelas minhas vontades pessoais, meus desejos supérfluos, sentimentos confusos de gratidão e responsabilidade por uma dor coletiva.
Foi nesse momento que entendi que me perdoar e ter empatia pelo outro poderia me fazer crescer e tomar consciência de que ninguém sai disso impune, imune ou numa boa, é preciso trabalho interior, autocuidado, ajudar o outro, entender que o mundo não é apenas a sua célula, o seu umbigo e que na verdade esse momento de pandemia espelha todos os outros momentos da minha vida em que tive que crescer.
HOJE me perdoei. Acordei tendo certeza das minhas limitações e que posso trabalhar para melhorá-las. Limitações muitas vezes como mãe, como mulher, como profissional, como amiga, como cidadã, e entendi também que se não fizer isso, não consigo ter empatia pelo outro, me colocar no lugar dele e entender que vivemos vidas diferentes, com valores diferentes e por isso somos únicos, fazendo com que a jornada seja solitária. Se perdoe, pode te fazer bem!