HOJE eu quero falar sobre como descobri a importância de ter amigos principalmente em épocas incertas como essa que estamos vivendo.

"Será que cabe afirmarmos que ter bons amigos tem a ver com o fato de colocarmos energia num relacionamento para dar certo, ou simplesmente termos afinidade que vai durar para sempre?"

Paula Martins Hoje
Por Paula Martins

Tenho que confessar que durante toda a minha infância, adolescência e parte da vida adulta tive poucos amigos (daqueles que você quer estar junto) e não investi muito, ou melhor, não coloquei energia vital para fazer novos amigos já que hoje sei que você precisa investir nesses relacionamentos. Sempre fui muito focada, o trabalho era a minha grande luta, além da minha família que comecei cedo me casando aos 22 anos. Os amigos da vida profissional iam e vinham, mas para mim era algo que eu não precisava me preocupar, mas sim me relacionar de maneira mais superficial. Conheci muita gente durante todos esses anos, foi muito bom, mas não o suficiente para criar vínculos.

Percebi também que amizade é algo que você precisa cultivar, se preocupar, se importar e efetivamente fazer parte da vida do outro simplesmente pelo prazer de estar lá. Talvez minhas poucas amizades tenham sido formadas por afinidade e eu achasse que isso bastaria, mas entendi que não. Se relacionar é uma arte de flexibilização, concessões, prazeres e desprazeres que fazem parte do ser humano. Gostar de alguém que não concorda com absolutamente todas as suas opiniões, mas saber que se você for dá-las vai te respeitar e acolher. Ser ouvido/a por um amigo é um gesto classificado como um dos grandes luxos da vida, pelo menos na minha opinião.

Depois de passar por um período de uma introspecção, o mundo mudou, consequentemente eu também, afirmo agora que ter amigos de verdade seja a grande tendência certeira para se sentir bem. Pensar que o outro está passando pelas mesmas coisas que você, e que tá tudo bem, é mais que reconfortante, quase que uma sentença de vida plena nesse mundo tão incerto. Falo aqui de amigos no sentido amplo. Amigo – parceiro, amigo – filho, amigo – irmão, amigo – mãe, enfim a sua pessoa preferida no mundo pode estar mais perto de você do que você imagina.

#seguimosjuntos

HOJE eu quero falar sobre o nosso poder de escolhas e como essas terão impacto na nossa vida física e emocional.

"Será que quando decidimos e escolhemos algo para a nossa vida conseguimos entender que existe um tempo para ser consolidado?"

Paula Martins Hoje
Por Paula Martins

Muitas pessoas comentam como sou uma pessoa que está envelhecendo bem. Perguntam qual a minha dieta, qual procedimento tenho feito, que tipo de ginástica pratico, enfim como tenho 49 anos de idade aparentando bem menos. Penso sempre que posso responder de maneira protocolar falando que o importante é me assumir e ter uma conexão com minha espiritualidade, não ligar para a aparência ou até mesmo de forma blasé agradecer o elogio e não alongar o assunto. Provavelmente a persona de alguns anos atrás falaria isso, mas a Paula de hoje não consegue mais ficar neutra sobre um tema tão importante do universo feminino.

Sendo assim, tenho que começar pelo começo (sendo bem repetitiva), já que a minha aparência de hoje não tem absolutamente nada a ver com o fato de eu não me importar com ela, ou de eu me aceitar como sou, mas sim tem a ver com as escolhas que eu tenho feito desde muito tempo atrás procurando ser minha melhor versão (inclusive tem newsletter minha falando sobre isso). Envelhecer bem, na minha opinião, tem a ver com estilo de vida. É um processo diário onde o resultado tem menos importância do que o caminho, em que as escolhas devem ser assertivas diariamente, e com sorte (nenhum contratempo de saúde, por exemplo) você vai conseguir ter um pouco de equilíbrio.

A questão, para mim, não é deixar o cabelo branco como manifesto de liberdade, e sim, saber que ele deve ser cuidado e apreciado como seu. A dieta do momento não tem a menor importância se você não aprendeu que a comida tem que nutrir o corpo e não a cabeça (problemas emocionais você trata se autoconhecendo). O exercício tem que ser voltado para o ganho de massa magra para acelerar o seu metabolismo e deixar você funcional para os anos que virão, qualquer modalidade da moda não vai surtir efeito. A parte hormonal tem que estar em ordem, olhar para isso com carinho e sem promessas de sucesso imediato.

Hoje quando alguém me elogia, penso nos últimos 10 anos que não tomei mais sol, em todas as vezes que optei por uma dieta low carb, ou todas as manhãs onde acordo as 6:15 para fazer a minha atividade física. Penso em foco, penso em disciplina, penso em escolhas, penso em mim e na minha capacidade de entender as minhas necessidades cuidando do meu corpo como um santuário e entendendo que vou precisar dele para poder performar no meu trabalho e na minha vida pessoal. Junto a isso cuido da minha cabeça e da minha alma também, e acho que o grupo dessas ações ajudam muito no sucesso do meu envelhecimento. Existe o certo e o errado? Claro que não.

Esse foi o meu certo e é nele que estou apostando, e é com essa resposta que sigo envelhecendo.

HOJE eu quero falar sobre uma das tendências mais comentadas do último SXSW – saúde emocional.

"O fato de você cuidar de você em todos os aspectos, mas evitar tratar suas emoções, pode mudar o rumo da sua vida?"

Paula Martins Hoje
Por Paula Martins

Esse ano de 2021, o festival SXSW que acontece em Austin, Texas, sobre inovação e movimentos futuros, foi totalmente online. No geral tanto a experiência de viver o evento “in loco” como os assuntos abordados, isso por causa do momento “pandemia” que estamos vivendo. Ouvindo pessoas que estiveram lá nos outros anos (eu teria ido em 2020, mas foi cancelado), percebo uma certa decepção e a constatação de que nada mais será feito da mesma maneira, nós não seremos os mesmos e nem teremos o mesmo olhar sobre a vida.

Dito isso, entendo, pelo o que eu pude assistir nas palestras propriamente ditas ou nos bate-papos na internet sobre o festival, que existe uma urgência em cuidar das emoções, não só aprimorar a inteligência emocional, mas também cuidar da saúde emocional como cuidamos do nosso corpo, do nosso espírito, do nosso mental. Uma demanda nova, mas que se provou eficaz para podermos desenvolver melhor as nossas relações tanto no âmbito pessoal como no profissional. Esses momentos nebulosos que estamos vivendo nos colocou em contato com o que sentimos em relação a nós e aos outros também. Colocaram à prova a importância de nos cuidarmos e termos a tão almejada “empatia” pelo outro.

O mais interessante que percebi, estudando um pouco as novas tendências que foram propostas, é que existem várias ferramentas para cuidar dessas emoções, não só aquelas que estávamos acostumados a usar, mas algo novo como por exemplo o uso de videogames pelos terapeutas para se comunicar e tratar essa nova geração que entende que os processos têm que estar conectados. É preciso existir um assunto de interesse para poder chegar no ponto mais profundo das suas feridas emocionais. O caminho é pessoal e intransferível e o que serviu para mim não precisa servir para você e vice-versa.

HOJE vale dizer que as “máximas” que acreditávamos para manter o “status quo” e a sociedade feliz, principalmente apreendidas com nossos pais e assim sucessivamente, caíram por terra e se provaram ineficazes para cuidar das emoções. O externo e a performance (que eram almejados até o final do século XX), deram lugar a uma vontade quase visceral de tentar achar felicidade dentro de nós mesmos, respeitando os nossos desejos (sejam eles considerados certos ou errados) – na minha ótica, esse foi o legado do SXSW dessa edição. 

HOJE eu quero falar sobre como a alimentação e os exercícios físicos salvaram a minha saúde e me trouxeram muito bem-estar.

"Se alimentar bem, se auto conhecer para praticar a nutrição intuitiva podem fazer toda a diferença na saúde do corpo e até da mente. Fica a pergunta: você é o que você come?"

Paula Martins Hoje
Por Paula Martins

Para falar sobre mudança de vida, eu acredito que necessariamente temos que pensar na nossa história pessoal para poder entender o presente e fazer alguma projeção do futuro. Por isso falo aqui da minha experiência com uma boa nutrição e exercício físico. Veja bem, da maneira que eu faço vale para mim, mas não necessariamente para você, e é por isso que o autoconhecimento é imprescindível para termos um processo de sucesso quando resolvemos mudar nosso lifestyle.

Pensa em uma criança que não comia nada, passava mal com quase tudo e depois na adolescência só comia doces, praticamente um vício que tive que me livrar. Naquela época não se falava em alergias, corpos inflamados, rejeições a determinados alimentos e a coitada da minha mãe fazia o que podia para me manter alimentada mesmo nessas condições, que agora eu sei, não eram ideais para uma boa nutrição. No começo da fase adulta me assumi como uma pessoa que se não comesse um chocolate, não conseguiria ficar equilibrada, com energia para encarar o dia-a-dia, dá para acreditar?

Pois é, levei essa vida dos meus 20 aos 40 anos com a vantagem de sempre fazer atividade física, isso foi algo positivo que nunca deixei de praticar, mas que não era potencializado porque efetivamente não nutria o meu corpo de maneira eficiente e por isso os resultados eram quase insignificantes para tudo o que eu fazia. Chegou num ponto, eu ainda negligenciava o que sentia fisicamente, que as minhas alergias alimentares eram tão agudas e desenvolviam tantos processos inflamatórios que tinha que tomar antibióticos quase que mensalmente para combater minhas doenças respiratórias.

Foi nesse momento que eu parei e resolvi olhar para mim com carinho e encarar o que seria uma das minhas maiores mudanças de vida. Enfrentei minhas crenças limitantes (você só funciona de determinada maneira), fui aprender a cozinhar, fui entender um pouco sobre nutrição e alimentos e comecei a prestar atenção no meu corpo e respeitar suas necessidades. HOJE vivo muito melhor, sem remédios adicionais. Meu corpo está mais equilibrado e acho que até mais bonito, minha pele mais sadia e meu cabelo mais forte, acreditam? Pois é, mudanças de hábitos que trazem saúde, bem-estar e, por incrível que pareça, muito prazer. Ser o comandante do seu próprio corpo, para mim hoje, é uma experiência de luxo. Lembrando esse foi o meu percurso, espero que você encontre o seu!

HOJE eu quero falar como caminhos radicais e inflexíveis me fizeram regredir ao invés de progredir na minha vida como um todo.

"O fato de você procurar relações e movimentos mais ponderados afeta de que maneira a sua vida? Será que precisamos viver polarizados para termos força?"

Paula Martins Hoje
Por Paula Martins

Sempre me considerei uma pessoa de personalidade forte, com opiniões muito precisas e certezas inquestionáveis e foi dessa maneira que vivi minha vida pessoal e profissional até os meus 40 anos. Comecei muito cedo o exercício de desenvolver as minhas próprias ferramentas de sobrevivência e com isso minhas considerações absolutas sobre tudo e sobre todos. Isso me fez crescer com força e determinação como se fosse um escudo de proteção quase impenetrável e me levou até onde eu queria e onde eu sempre sonhei.

No momento em que me senti no topo, com vigor físico e emocional, quase que imediatamente senti a necessidade de dar passos para trás com o objetivo de andar para frente novamente e foi aí que comecei a aperceber que o caminho certo, na minha opinião, deve ser seguido, mas com um olhar flexível e leve que só a maturidade pode trazer. Num primeiro momento me senti fraca. Sem energia. Como escolher o caminho do meio e não ser tão radical? Como conseguir fazer tudo o que eu preciso sem minhas verdades absolutas?

Pois é, tarefa nada fácil. Quebrar essas barreiras emocionais, questionar suas crenças limitantes e ainda assim permanecer no jogo da vida é bem trabalhoso, mas nunca ninguém prometeu que seria simples, né? HOJE aos 48 anos ainda não atingi o meu objetivo de sempre que possível seguir o caminho do meio. Me sinto vulnerável e fragilizada, mas também não consigo mais usar o radicalismo para resolver meus problemas. A vida é sempre uma grande ironia, o que te alimenta pode até te matar.

Me sinto um caso em andamento, sem polarização, sem exclusão, mas sim com coexistência. Não é isso OU aquilo, e sim, isso E aquilo, parece simples, mas requer tolerância, autoconhecimento, enfim, alguma ressignificação, ainda mais para alguém com a minha personalidade. Aqui fica essa reflexão. Será que o fato de você ter um comportamento radical pode estar te levando para um lugar de inércia e sem aprendizado?

HOJE eu quero falar sobre a necessidade de acreditarmos na vida, nas pessoas, nos propósitos e em como isso tem mudado o meu comportamento.

"O fato de não ter uma crença religiosa faz com que você não possa acreditar em mais nada? É possível simplesmente ter fé na vida?"

Paula Martins Hoje
Por Paula Martins

Durante muito tempo na minha jornada como ser humano acreditei que a fé era algo simplesmente religioso e eu precisava me associar a algum desses movimentos para poder exercer o acreditar. Com o amadurecimento, afinal já estou com 48 anos, comecei a perceber que esse processo tinha muito mais a ver com algo dentro de mim do que em alguma coisa que estava fora do meu controle. Isso não tem a ver com autoestima, mas com a capacidade de poder me conectar com o não é palpável exercendo o meu autoconhecimento.

Intuição sempre foi o meu canal direto com o universo, com Deus, com meu anjo da guarda, enfim, com algo que simplesmente aparecia na minha mente e que eu seguia porque no fundo sentia que era o caminho adequado para mim. HOJE sei que não faço quase nada sem me conectar com esse EU indefinido, não racional, que é o processo intuitivo. Isso não quer dizer que eu não raciocine sobre os meus comportamentos e corra atrás de me conhecer melhor. O processo criativo, que exercito também, me ajuda a conectar os dois lados da moeda.

É claro que eu exercitei e desenvolvi minha intuição durante todos esses anos. Tenho trabalhado para ela me ajudar cada vez mais e estar presente em quase todas as áreas da minha vida. Fico confusa? Muitas vezes angustiada? Claro que sim, sou um ser humano em andamento, mas sei que a fé que eu deposito nessa minha conexão com o um universo me credencia a ser uma pessoa que tem fé em mim e na minha capacidade de resolução de dores e problemas. Preciso ter uma religião que paute os meus caminhos? Não necessariamente. E você, já pensou como é o seu processo de acreditar?

HOJE eu quero falar sobre o que significou para mim me tornar mãe e como esse processo foi transformador e me tornou uma outra pessoa.

"O fato de algum dia você sonhar em ser mãe automaticamente te credencia para esse papel? Como podemos identificar a diferença entre um desejo e uma real vocação?"

Paula Martins Hoje
Por Paula Martins

Por incrível que pareça, a maternidade nunca foi um sonho ou até mesmo um projeto de vida, mas se tornou um aprendizado sem fim desde o primeiro momento que meu filho Guilherme (21) nasceu. Me tornei mãe naquele dia sem nenhuma expectativa. Achava que não iria conseguir amamentar (na minha cabeça não tinha nascido para isso), que teria dificuldade dos cuidados com ele no dia- a -dia e que talvez eu tivesse no lugar errado, na hora errada. Por incrível que pareça, isso me ajudou muito. As coisas foram se encaixando e eu me encontrei totalmente inserida naquela situação, achando que era possível eu cumprir esse papel, continuando sem muitos planos certos e definidos. 

Quando a Eduarda nasceu continuei sem ter certeza de que estaria preparada, e de fato não estava, foi totalmente diferente já que por uma sorte infinita minha eles foram, são e serão indivíduos totalmente diferentes um do outro e de mim também. E é aí que começa, para mim, toda a mágica e a beleza desse processo de tentar conviver, respeitar, admirar as diferenças e ainda assim sermos uma família na maneira menos tradicional da palavra. Processo fácil? Claro que não. Eu não tinha nenhum modelo ou regra para seguir, mas sabia que coisas como amor, empatia, acolhimento eram inegociáveis e necessários nesse nosso relacionamento.

Com eles, sem dúvida nenhuma, sou uma pessoa melhor. Mais tolerante, mais amiga, mais carinhosa, mais consciente e acima de tudo percebendo que o mundo não gira em volta do meu próprio umbigo, que existe vida além da Paula, o que é muito libertador. Brinco que quando eu era mais jovem, para poder me inspirar tanto no meu trabalho com o na minha vida pessoal, eu tinha que rodar o mundo, conhecer gente, conhecer lugares. Agora, só preciso estar em casa com eles que geralmente tenho uma lição sobre o mundo que não iria encontrar em lugar nenhum.

A Paula de hoje não é definida só pela maternidade. Existem outros papéis que faço questão de performar, mesmo porque ter uma vida independente de ser mãe, a meu ver, me torna uma mãe melhor. Irônico né? Veja bem, ainda estou no processo, essa é uma caminhada de todo dia e o aprendizado é constante, sempre sem muita expectativa. Tenho gratidão por ter tido coragem de ter meus filhos e acredito que essa é uma história pessoal, onde “eu” encontrei propósito, mas não precisa ser assim para todos né?

HOJE eu quero falar sobre a importância de você criar situações na sua vida que te inspirem.

"As obrigações e metas que colocamos no nosso dia a dia muitas vezes são feitas de forma mecânica e oprimem nossos verdadeiros desejos. Será que é possível fazer algo e alcançar um objetivo se você não está inspirado/a?"

Paula Martins Hoje
Por Paula Martins

O tema de hoje foi escolhido por mim justamente porque não estava inspirada a escrever nada. Acho até que tem um pouco a ver com começo de ano, férias, desligamento de redes sociais e desaceleração, mas percebi que tudo isso deveria ter funcionado de maneira oposta para mim já que é no descanso que conseguimos ter inspiração. Ou Não? Será que estou me prendendo a resoluções externas da sociedade e não ouvindo o meu interno?

Acredito que sim. Primeiro percebi que o que para mim funcionava como estímulo, hoje em dia, não funciona mais. A minha vida desde sempre era pautada por uma energia louca, um poder de fazer acontecer que deixava os outros a minha volta cansados de tantas frentes que eu sempre me coloquei e me propus a desenvolver. Eu tinha um lema: trabalho dado é trabalho feito, sem medir nenhum custo para mim mesma.

A vida acontecia quase que perfeitamente, e foi aí, que eu comecei a pensar que talvez o custo de estar sempre inspirada o tempo todo era muito alto, não tinha espaço para o nada, para o descanso, para o imperfeito, para a pausa, para mim. E a partir do momento que tomei consciência disso, tudo mudou. O que eu sentia mudou, o que eu queria mudou, as minhas metas mudaram, tive que me desconstruir principalmente na minha profissão.

Foi aí também que entendi que a minha inspiração pode vir com o processo e não com o resultado. Pode vir com o viver mais calma, mais pausada, mais tranquila, menos ansiosa, mais focada em uma coisa só. Nesse momento escrevo a newsletter de hoje inspirada com cada palavra escrita, no meu ateliê, tomando água, simples assim. Percebi também que HOJE o que mais me deixa empolgada é saber que estou desenvolvendo o meu quociente relacional – a minha capacidade de me relacionar bem com as pessoas. E você, o que te faz bem?

HOJE eu quero falar sobre o que vivemos e como vivemos a ano de 2020!

"Em época de cancelamento nas redes sociais, fiquei me perguntando nesse final de ano se deveria simplesmente apagar (cancelar) o ano de 2020. Será que é possível passar por algo e fingir que nada aconteceu?"

Paula Martins Hoje
Por Paula Martins

Sempre busquei o autoconhecimento e a tomada de consciência como propósito de vida. A gente cresce (pelo menos eu cresci) achando que as coisas ruins não devem ser cultivadas e só as coisas boas devem ter lugar de destaque no nosso dia-a-dia. Esse é um bom pensamento, o politicamente correto como dizem, aquilo que nos move ir adiante, mas com a maturidade também descobri que tudo precisa ser trabalhado na nossa mente, não tem como fingir que não aconteceu e partir para a próxima etapa sem reflexão.

Dito isso, decidi pensar sobre esse ano que passou de forma consciente com o lado bom e o lado ruim, sem fantasias de que foi melhor porque aprendemos algo e nem que foi um horror porque perdemos tudo. Hoje vamos tentar o caminho do meio? Esse é um exercício que venho fazendo e tem me colocado de forma real perante essa situação tão absurda e cheia de desafios para todos nós. Confesso que durante esses últimos dez meses eu oscilei muito entre o amor e ódio nessa situação.

Aprendi a viver mais o dia presente, aprendi que não adianta tentar controlar tudo, aprendi também que o quoeficiente relacional (capacidade que você tem de se relacionar bem com as pessoas) foi a grande virada de jogo, pelo menos para mim, durante essa pandemia. O que contou mesmo foi a minha família e amigos queridos para dividir todas as incertezas, inseguranças e momentos de desânimo em relação a nossa saúde física, saúde financeira, saúde emocional, um quebra cabeça tenso de ser montado em 2020.

O que esperar de 2021? Para ser bem sincera, nada de muito diferente. Afinal de contas a gente acorda todo dia e tem que seguir em frente com a situação que estiver no nosso caminho. Pretendo, nesse novo ano, seguir com disciplina para as coisas que me fazem bem. Ter saúde, atividade física, boa nutrição, bons amigos, possibilidade de trabalho, prosperar na mediada do possível, me divertir, ajudar sem fazer alarde, enfim viver sempre tentando buscar a minha melhor versão! 

HOJE eu quero falar sobre o dia que eu fiz as pazes comigo mesma na quarentena.

"Você já parou para pensar que o exercício de se perdoar é algo que faz parte do nosso cotidiano e que pode nos ajudar a perdoar o outro? Aliás, nesse momento louco que estamos vivendo com uma culpa coletiva, você já se perdoou?"

Paula Martins Hoje
Por Paula Martins

Sempre ouvi muito a palavra empatia durante esses meus 48 anos vividos com experiências pessoais, profissionais e coletivas. Na verdade, ela tem feito parte do meu vocabulário, mas foi só nesse ano de 2020 que consegui entender o seu maior significado. E não pense que entendi porque me considero uma pessoa “mais evoluída” ou melhor que as outras, mas sim pela necessidade de crescimento interno, de sobrevivência, enfim, de perdão pessoal.

Quando tudo começou e eu como a maioria das pessoas que olhou para dentro de si (já que tudo ao meu redor havia mudado) o que enxerguei foi uma falta de perdão, uma culpa por muitas vezes estar em uma situação privilegiada, culpa por me sentir incapaz de fazer algo maior, culpa pelas minhas vontades pessoais, meus desejos supérfluos, sentimentos confusos de gratidão e responsabilidade por uma dor coletiva.

Foi nesse momento que entendi que me perdoar e ter empatia pelo outro poderia me fazer crescer e tomar consciência de que ninguém sai disso impune, imune ou numa boa, é preciso trabalho interior, autocuidado, ajudar o outro, entender que o mundo não é apenas a sua célula, o seu umbigo e que na verdade esse momento de pandemia espelha todos os outros momentos da minha vida em que tive que crescer.

HOJE me perdoei. Acordei tendo certeza das minhas limitações e que posso trabalhar para melhorá-las. Limitações muitas vezes como mãe, como mulher, como profissional, como amiga, como cidadã, e entendi também que se não fizer isso, não consigo ter empatia pelo outro, me colocar no lugar dele e entender que vivemos vidas diferentes, com valores diferentes e por isso somos únicos, fazendo com que a jornada seja solitária. Se perdoe, pode te fazer bem!